O SABBATH

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O fogo permanece aceso.

Sinopse

O Sabbath é uma peça de teatro ritual de fogo que recria, em linguagem performativa contemporânea, um ritual proibido há muito desaparecido da prática viva: uma cerimónia noturna de convocação, passagem e transgressão, onde o fogo abre caminho entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos.

Criada pela Ophiussa Fire Theatre e apresentada nos Sintra Fire Fests em 2025, a peça conduz o público para o interior de um círculo ritual onde o corpo, a máscara, o som, a sombra e a chama se tornam instrumentos de invocação. Não se trata de representar o passado de forma literal, mas de lhe devolver presença cénica: aquilo que poderia ter acontecido longe dos salões, nos bosques e nas clareiras, quando a noite pertencia aos que ainda escutavam a terra, os mortos e os sinais do invisível.

A obra apresenta duas configurações do mesmo ritual. A primeira, O Sabbath Celta, mergulha numa dimensão mais primitiva e telúrica, ligada à natureza, aos ciclos, aos espíritos ancestrais e às forças arcaicas que atravessam a comunidade. A segunda, O Sabbath das Bruxas 1600, transporta o mesmo rito para uma época marcada pelo medo, pela perseguição e pela demonização dos antigos saberes, revelando o sabbath como ato clandestino de resistência, poder e sobrevivência simbólica.

Entre o sagrado e o profano, o medo e o êxtase, a condenação e a libertação, O Sabbath transforma o palco num limiar: um lugar onde o fogo ilumina aquilo que foi silenciado, onde o ritual regressa como memória, ameaça e revelação.

Em O Sabbath Celta, o ritual emerge da terra, da noite e dos ciclos antigos.

Figuras arquetípicas ligadas à natureza reúnem-se num espaço liminar para romper o véu entre os mundos e convocar a presença dos espíritos ancestrais. O fogo torna-se eixo de passagem, instrumento de purificação e sinal de comunhão entre corpo, comunidade e invisível.

A encenação revela um rito primitivo, físico e telúrico, onde cada gesto parece nascer de uma memória anterior à palavra. As personagens enfrentam forças maiores do que elas próprias: o medo, a entrega, o sacrifício e a necessidade de atravessar o desconhecido.

À medida que o círculo se intensifica, o espaço cénico transforma-se em clareira ritual. O tempo suspende-se. O portal abre-se. E o público é chamado a testemunhar não uma vitória, mas uma passagem: o instante em que os mundos se tocam e a comunidade aceita o mistério.

Em O Sabbath das Bruxas 1600, o mesmo ritual regressa sob o peso do medo, da clandestinidade e da perseguição.

Situada no imaginário europeu dos séculos XVI e XVII, esta configuração transporta o sabbath para uma época em que os antigos saberes, os corpos dissidentes e o feminino ritualizado foram empurrados para a sombra. O rito deixa de ser apenas comunhão com o invisível: torna-se ato de resistência.

Aqui, a bruxa surge como figura central, guardiã do limiar, portadora de conhecimento, corpo condenado e força indomável. A encenação acentua o macabro, o proibido e o transgressor, revelando a tensão entre fé e heresia, desejo e punição, medo e poder.

Quando o portal se abre, o clímax não oferece respostas fáceis. Entre libertação e danação, o fogo ilumina aquilo que a história tentou apagar: a permanência do rito, da memória e da força daqueles que foram silenciados.

Ophiussa Fire Theatre é a companhia de teatro de fogo da Black Moon Produções.

Criamos espetáculos e narrativas performativas onde o fogo não é apenas efeito visual, mas linguagem cénica, ritual e simbólica. O nosso trabalho cruza teatro físico, mitologia, máscaras, figurino, música, cenografia e presença ritual, construindo experiências intensas, atmosféricas e profundamente visuais.

Inspirada no imaginário ancestral europeu, nas tradições pagãs, nos ciclos da natureza e nas narrativas que habitam bosques, clareiras e lugares liminares, a Ophiussa desenvolve criações adaptáveis a feiras históricas, festivais temáticos, eventos culturais, programações municipais e espaços patrimoniais.

RITUAL DO FOGO

Presença ritual imersiva

Espetáculo principal com permanência em cena antes e pós espetáculo. Forte impacto visual e fotográfico. Orçamento mediante consulta

CENOGRAFIA

A cenografia dos Rituais de Fogo recria um acampamento ritual vivo, adaptável ao espaço e à escala de cada apresentação.

Tendas funcionais, mesas rústicas, cozinha, caldeirões, peles, tecidos, madeira, utensílios, objetos simbólicos, tochas e zonas de fogo compõem uma clareira habitada, onde o quotidiano e o sagrado se cruzam.

O acampamento permanece montado durante o evento e pode funcionar como instalação imersiva, permitindo ao público circular, observar e interagir com o universo da peça. Antes e/ou depois do espetáculo, os performers ocupam o espaço em presença cénica, criando momentos visuais de forte impacto e registo fotográfico.

O fogo atravessa toda a cenografia, das tochas à manipulação, não como mero efeito, mas como matéria dramática e sinal de passagem entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos.

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Título: O Sabbath Apresentação: Ophiussa Fire Theatre

Criação e ideia: João Batista e Marco Patrocínio

Direção artística e encenação: Marco Patrocínio

Acessoria técnica e logística: Black Moon Produções

Elenco:

Marco Patrocínio, Madalena Marques, Óscar Pinto,
Susana Maurício, Yolanda Rebelo, José Leitão, Sofia Claro